Imagine uma mulher séria, vestida com roupas masculinas de alfaiataria, sóbrias e largas. Aí coloque-a num jardim amplo, numa tarde de início de primavera, quando a névoa branca de inverno começa a ser substituída pelo colorido delicado das flores. O efeito desse encontro pode ser entendido como o desenrolar do verão 2011 de Dries Van Noten. A silhueta masculina, oversized e neutra do início do desfile encontra, de repente, um vestido da mais leve seda, estampado com ramos de flores grandes. A partir daí, as calças ficam mais leves – incluindo as ótimas pantalonas jeans superlargas – os blazers e trenchcoats ganham o efeito ombré de cores femininas e, eis que aparecem, novamente, os vestidos levíssimos e floridos, quase como se aquela mulher precisasse ser constantemente reconquistada pela sensibilidade da natureza. E parece que dá certo, até que, infelizmente, como se acordasse de um sonho tranquilo, ela fosse fisgada pela realidade e tivesse que processar o ritual “levantar, escovar os dentes, se vestir, trabalhar”. A rotina pode até ser a mesma, mas ela não é. As formas duras e retas foram substituídas por tecidos fluidos e maleáveis; a pele está à mostra mesmo sob a camisa branca de todo dia. Há histórias capazes mesmo de mudar uma pessoa; e você pode perceber pelo guarda-roupa.























































Nenhum comentário:
Postar um comentário